Apesar do desgaste, petistas afirmam que os dois estão longe de um rompimento (Foto: Reprodução/Web)
Parece que não foi só a popularidade da presidente Dilma Rousseff (PT) que foi abalada com as manifestações de junho. Elas também podem ter ajudado a desgastar sua relação com o ex-presidente Lula (PT), seu padrinho político.
De acordo com matéria da Folha de S. Paulo, petistas dizem que os dois estão longe de um rompimento, mas que concordam que a ligação dos dois chegou ao ponto mais difícil desde que Dilma assumiu o cargo.
Nos bastidores do governo e no próprio PT, a distância, percebida, foi alvo de comentários. Interlocutores da presidente atribuem a aliados de Lula o vazamento de críticas à atuação do governo durante a onda de protestos que mexeu com o País em junho.
Já os interlocutores de Lula afirmam que ele considerou uma “barbeiragem” a decisão do Planalto de propor uma constituinte para a Reforma Política sem ouvir o vice-presidente Michel Temer (PMDB), mas ouvindo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
A publicação também diz que há queixas partindo do governo e que pessoas que falaram com o ex-presidente nas últimas semanas o descrevem como “preocupado” e dizem que às vezes ele expressa incômodo com a centralização e “teimosia” de Dilma.
Ainda de acordo com a matéria, auxiliares de Lula notaram que o ex-presidente buscou uma reaproximação com o governador Eduardo Campos (PSB) e que numa dessas conversas Lula disse ao socialista que descarta a possibilidade de concorrer a presidente em 2014.
A reunião ocorreu horas depois de Lula ter tido um encontro com Dilma que foi descrito pelos petistas como o mais tenso até então. Nos dias seguintes, as queixas se multiplicaram, e manifestações a favor de uma nova candidatura de Lula voltaram a ser feitas em público.
Já no entorno de Dilma, há quem acuse Lula de ficar longe da crise para preservar a sua imagem. Isso é rebatido e a acusação considerada absurda e diz-se que ele procura evitar ofuscar a sucessora ou passar a impressão de que tenta interferir.
Auxiliares de Lula afirmam que ele indicou recentemente que só irá de novo ao encontro de Dilma se for chamado, o que foi interpretado como sinal de frustração diante da falta de acolhimento para sugestões feitas à presidente. Ele teria sugerido mudanças na área econômica do governo, para resgatar a credibilidade da política fiscal, e na articulação com o Congresso, para pacificar a relação do governo Dilma com seus aliados.
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